×
AGENDA VISITE GUARULHOS TURISMO SA FOR BUSINESS DESTINOS NACIONAIS DESTINOS INTERNACIONAIS CITY BREAK TURISMO E MERCADO FEIRAS EVENTOS HOTELARIA GASTRONOMIA DICAS VITRINE TURISMO SA TV TESTADO E APROVADO ÚLTIMAS NOTÍCIAS PARCEIROS QUEM SOMOS - EQUIPE CONTATO
     

Whats Instagram Instagram Facebook
×
ENCONTRE SUA NOTÍCIA

TURISMO-SA - Angela Karam e Camila Karam
DICAS

Há artistas que usam a luz para mostrar. Rembrandt parecia interessado também no que ela podia esconder.





 

Por Mary de Aquino


É essa tensão que atravessa Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra, em cartaz na CAIXA Cultural São Paulo, na Praça da Sé. A exposição reúne 69 gravuras originais e percorre quase quatro décadas da produção gráfica do artista holandês, também autor de algumas das pinturas a óleo mais célebres da história da arte. Com curadoria do historiador italiano Luca Baroni, a mostra passa por retratos e autorretratos, cenas religiosas, paisagens e episódios do cotidiano.

Diante das gravuras, uma coisa impressiona especialmente: a economia dos meios diante da grandeza do resultado.
Rembrandt trabalhou principalmente com água-forte e ponta-seca, técnicas realizadas sobre matrizes de metal. Na água-forte, o desenho é feito sobre uma placa preparada e depois gravado pela ação do ácido. Na ponta-seca, o artista risca diretamente o metal com uma ferramenta pontiaguda. A matriz recebe tinta e é então prensada sobre o papel.

A explicação técnica, no entanto, diz pouco sobre aquilo que acontece diante dos olhos.
Rembrandt faz linhas se transformarem em atmosfera. Aproxima, sobrepõe e cruza traços para mergulhar uma figura na escuridão; em outras áreas, deixa o papel respirar e a claridade aparecer. Entre esses extremos surgem inúmeras gradações de luz e sombra  e delas vêm o volume de um rosto, a dobra de uma roupa, a profundidade de um ambiente e, sobretudo, a expressão de um personagem.

 

É quando se percebe que o grande pintor era também um desenhista extraordinário. Seu virtuosismo não está apenas na precisão do traço, mas em uma percepção excepcional da luz. Em suas mãos, aquilo que permanece na sombra pode revelar tanto quanto aquilo que é iluminado.

Esse olhar foi se transformando ao longo de sua trajetória. Pieter Lastman, com quem estudou em Amsterdã, teve papel importante em sua formação. Nos primeiros trabalhos, aparecem contrastes intensos, cenas dramáticas, gestos expressivos e uma atenção minuciosa aos detalhes. Mais tarde, sobretudo a partir da década de 1640, sua linguagem se torna mais introspectiva. A luz deixa de servir apenas para construir formas e espaços e passa também a sugerir emoções e estados psicológicos.

Talvez por isso os autorretratos ocupem um lugar tão particular em sua produção. Durante décadas, Rembrandt voltou o olhar para o próprio rosto. Em vez de tentar congelá-lo em uma imagem ideal, registrou suas transformações. O artista que observava tão profundamente as expressões humanas fez de si mesmo um território de investigação sobre a passagem do tempo.

A exposição encontra uma maneira especialmente sensível de recuperar essa dimensão. Em uma das salas, imagens de suas pinturas ganham movimento por meio de projeções. Em outro ponto do percurso, ao olhar por uma abertura em direção a um espaço escuro, surge uma projeção de surpreendente realismo: é como observar Rembrandt diante da própria pintura. Ele aparece mais jovem, depois adulto e, finalmente, envelhecido, olhando para quem observa. O rosto muda é a essência do artista plástico trabalhando no ofício toda a sua vida.

É um momento breve e emocionante que acaba modificando também o olhar sobre as gravuras. Aquelas imagens deixam de representar apenas diferentes períodos de uma carreira. Foram produzidas por um homem que envelhecia enquanto observava, desenhava e registrava outros rostos — inclusive o seu.

 

Rembrandt Harmenszoon van Rijn viveu durante o chamado Século de Ouro neerlandês, alcançou reconhecimento ainda jovem como retratista e construiu uma obra que atravessou pintura, gravura, cenas bíblicas, retratos coletivos, paisagens e uma extensa investigação de sua própria imagem. Sua grandeza talvez esteja justamente em ter ido além da aparência: seus rostos carregam silêncio, dúvida, sentimentos, vulnerabilidade e as marcas inevitáveis do tempo.

A luz de Rembrandt chegou ao mundo em Leida, em 1606, e se apagou em Amsterdã, em 1669. Na arte, porém, permaneceu acesa. Mais de 350 anos depois, continua atravessando gerações — na pintura, na gravura, na fotografia, no cinema e, sobretudo, na maneira como aprendemos a enxergar aquilo que a sombra também é capaz de revelar.

Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra
CAIXA Cultural São Paulo — Praça da Sé, 111, Centro
De 29 de julho a 27 de setembro de 2026
Terça a domingo, das 9h às 18h
Entrada gratuita

 

 



Postado por
no dia 20/08/2026 às




ENVIE PARA UM AMIGO



Leia mais sobre Dicas

LEIA TAMBÉM: