Vindima na Vinícola Campestre: experiência de enoturismo em Vacaria (RS)
Viver a Vindima na Vinícola Campestre é mergulhar na tradição do vinho com experiências que despertam os sentidos
.jpeg)
Parrerais da Vinícola Campestre | Camila Karam
Por: Camila Karam
Entre vinhedos e colinas onduladas nos Campos de Cima da Serra, a Vinícola Campestre revela um dos cenários mais surpreendentes do enoturismo no Rio Grande do Sul. Em Vacaria, a quase 1.000 metros acima do nível do mar e a pouco mais de 150 quilômetros de Bento Gonçalves, a paisagem se distancia do imaginário clássico da Serra Gaúcha e se abre em horizontes amplos, parreirais perfeitamente alinhados e uma luz dourada de fim de tarde que remete às vinícolas da Toscana.
.jpeg)
As três marcas do grupo | Camila Karam
Fundada em 1968 pela família Zanotto, a Vinícola Campestre construiu sua história aliando tradição e inovação. Mas foi a partir dos anos 2000 que um novo capítulo começou a ser escrito: o empresário João Zanotto iniciou um intenso trabalho de pesquisa de solos e castas, escolhendo Vacaria pela combinação rara de altitude elevada, amplitude térmica — com dias quentes e noites frias — e solos calcários e argilosos com excelente drenagem.
.jpeg)
Cachos de uvas Merlot | Camila Karam
A filosofia é de produção limitada — cerca de dois quilos por planta — com colheita seletiva, maturação em barricas de carvalho de primeiro uso e envelhecimento mínimo de dois anos em cave subterrânea. Os vinhos passam ainda por barricas francesas e americanas e são lançados em lotes exclusivos, com garrafas numeradas.
Enoturismo de ponta a ponta
.jpeg)
Visual que lembra a Toscana | Camila Karam
Desde 2020, a propriedade em Vacaria abriga um complexo de enoturismo. A experiência vai além da degustação: inclui passeio pelos vinhedos, visita às caves subterrâneas, capela de pedras e pequenos museus que narram a história da Campestre, da vitivinicultura gaúcha e da imigração italiana na região.

Pisa da uva | Divulgação
Durante a Vindima, celebrada entre fevereiro e março, o roteiro ganha contornos ainda mais imersivos. A tradicional pisa das uvas resgata práticas históricas e transforma a colheita em celebração. O tour completo, com cerca de duas horas e meia de duração, percorre todas as etapas culminando em degustações que permitem compreender a evolução dos vinhos em diferentes estágios.
Da videira à taça: uma experiência imersiva
Visitar a vinícola é percorrer o caminho completo do vinho. O tour começa pelos parreirais, onde o terroir marcado pela amplitude térmica e por solos argilosos e pedregosos revela como o clima e solo moldam frescor e intensidade aromática nas uvas.
.jpeg)
Cave da Vinícola Campestre | Camila Karam
O roteiro segue pela área industrial, com explicações detalhadas sobre vinificação, fermentação e amadurecimento. Um dos momentos mais marcantes é a degustação de vinhos diretamente dos tanques e das barricas — oportunidade rara de provar rótulos ainda em evolução e perceber, na prática, as nuances entre diferentes estágios de amadurecimento.
.jpeg)
Tanques na fábrica da Vinícola Campestre | Camila Karam
Degustação com vista
Em frente aos vinhedos, taça na mão e horizonte verde como moldura, a degustação ao ar livre se transforma em um dos momentos mais encantadores da visita. Ali, cada rótulo parece dialogar diretamente com a paisagem que lhe deu origem. Ao final, é possível adquirir os vinhos na loja da propriedade, que reúne desde linhas premium até exemplares mais tradicionais.
.jpeg)
Mural interativo que conta a história da imigração italiana na região | Camila Karam
À frente do enoturismo, a gerente e enóloga Amanda Lessa reforça a proposta de oferecer experiências personalizadas e de perfil premium, acompanhando a consolidação de novas rotas turísticas nos Campos de Cima da Serra.
.jpeg)
Risoto de pisto com polvo do Chef Tarso Sobral | Camila Karam
Menu Tempo di Vindima: a colheita à mesa
Mais do que um período de trabalho intenso no campo, a vindima simboliza a celebração de um ciclo que começou meses antes, nos parreirais. É o momento em que açúcar, acidez e aromas atingem o ponto ideal — e também quando a cultura do vinho se manifesta em rituais, música e gastronomia típica.
.jpeg)
Burrata acompanhada de chutney de uva, crumble de pistache e mel de uva | Camila Karam
No Restaurante Campestre, aberto para almoço de quinta a domingo, essa celebração ganha forma no Menu Tempo di Vindima, criado pelo chef Tarso Sobral. Em quatro etapas, o percurso gastronômico traduz a identidade regional com técnica e sensibilidade.
O almoço começa com burrata acompanhada de chutney de uva, crumble de pistache e mel de uva, harmonizada com espumante Brut Zanotto, cujas notas frescas equilibram a cremosidade do prato. Na sequência, gnocchi ao molho de gorgonzola com uvas assadas encontra no Sauvignon Blanc Reserva o contraponto ideal entre intensidade e frescor.
Como prato principal, o carré de cordeiro com mousseline de vinho e mini cebolas glaceadas ganha profundidade ao lado do Tannat Reserva Zanotto. Para finalizar, a cheesecake desconstruída com gel de Merlot dialoga com um brut rosé pelo método champenoise, encerrando a experiência com elegância.
.jpeg)
Carré de cordeiro com mousseline de vinho e mini cebolas glaceadas | Camila Karam
O menu pode ser apreciado com ou sem harmonização, oferecendo ao visitante a possibilidade de explorar, em profundidade, as nuances dos vinhos da casa em sintonia com a gastronomia local.
O futuro em construção
.jpeg)
A elegante loja de onde saem os tours | Camila Karam
O crescimento do enoturismo acompanha a projeção internacional dos vinhos. Está em construção um hotel de alto padrão, com previsão de entrega até 2028, que contará com mais de uma centena de apartamentos, águas termais e ambientação temática inspirada no universo do vinho e no terroir de Vacaria. A proposta é oferecer uma estadia sem pressa, permitindo que o visitante mergulhe integralmente na cultura vitivinícola dos Campos de Cima da Serra.
Entre altitude, técnica e tradição familiar, a Vinícola Campestre consolida-se como destino onde o vinho deixa de ser apenas bebida e passa a ser narrativa viva de território, pesquisa e excelência. Uma jornada sensorial que revela o potencial do Brasil no mapa mundial dos grandes vinhos.
Mais em: https://www.vinicolacampestre.com.br/
Postado por Camila Karam no dia 27/02/2026 às 15:20












