Turismo de aventura cresce no Brasil e acende alerta sobre segurança em atividades como rapel, tirolesa e paraquedismo
Especialistas explicam como identificar operações seguras, evitar riscos e o que observar antes de contratar experiências de aventura

O turismo de aventura vive um dos momentos mais fortes de crescimento no Brasil, impulsionado pela busca por experiências imersivas, contato com a natureza e atividades que envolvem adrenalina, como tirolesa, rapel, escalada, trilhas e paraquedismo.
Mas, junto com a expansão do setor, cresce também a preocupação com a segurança dos praticantes — especialmente após casos recentes que reacenderam o debate sobre protocolos, fiscalização e responsabilidade em atividades de risco.
Especialistas alertam que, apesar da popularização, o turismo de aventura exige critérios rigorosos de segurança que vão muito além da experiência visual ou do apelo nas redes sociais.
Crescimento acelerado do turismo de aventura no Brasil
De acordo com levantamento do Ministério do Turismo de 2025, o turismo de aventura já representa 13% da preferência dos viajantes brasileiros, chegando a 22% entre jovens de 16 a 24 anos.
O segmento se consolida como um dos mais dinâmicos do turismo nacional, impulsionado por uma mudança no comportamento do viajante, que passou a priorizar experiências em vez de roteiros tradicionais.
O Brasil também ganhou destaque internacional. Em ranking recente da US News & World Report, o país foi eleito o melhor destino do mundo para turismo de aventura, superando destinos como Itália, Grécia, Espanha e Tailândia.
Apesar do reconhecimento, o crescimento rápido também traz desafios importantes relacionados à segurança e à profissionalização do setor.
“Segurança não pode vir depois da emoção”
Para a professora de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Leandra Batista, o principal erro dos praticantes é priorizar a experiência sem avaliar as condições de segurança da operação.
“A emoção faz parte da proposta dessas atividades, mas ela não pode vir à frente da segurança. A escolha da empresa, dos profissionais e dos equipamentos é tão importante quanto a experiência em si”, afirma.
Segundo a especialista, muitos acidentes poderiam ser evitados com medidas básicas, como briefing adequado, equipamentos em boas condições e equipes capacitadas.
Entre os pontos de atenção antes de contratar uma atividade de aventura estão:
- existência de briefing de segurança claro
- conservação e inspeção dos equipamentos
- presença de instrutores qualificados
- protocolos de emergência e resgate
“Segurança não diminui a emoção; ela permite que a atividade aconteça da forma correta”, reforça Leandra.

Escolhas do viajante influenciam diretamente a segurança
A CEO da Business Factory e especialista em turismo, Thais Medina, destaca que o crescimento do turismo de aventura está diretamente ligado à transformação do comportamento do viajante, que busca experiências mais intensas e memoráveis.
“Viajar deixou de ser apenas visitar um destino. As pessoas buscam vivências capazes de gerar conexão e memória com os lugares”, explica.
Esse movimento fortalece o setor, mas também aumenta a responsabilidade de quem contrata e de quem opera essas atividades.
Segundo a especialista, a segurança começa na escolha do consumidor. É fundamental verificar a reputação da empresa, buscar avaliações, confirmar a existência de seguro, entender o nível de dificuldade da atividade e checar as condições dos equipamentos.
Durante a experiência, recomenda-se seguir todas as orientações dos instrutores, respeitar os próprios limites e utilizar corretamente os equipamentos de segurança.
Nenhuma atividade de aventura é totalmente livre de risco
Especialistas reforçam que não existe atividade de aventura completamente isenta de risco. O próprio conceito dessas experiências envolve desafios físicos e emocionais em ambientes naturais.
No entanto, o que diferencia uma operação responsável é a existência de protocolos claros, equipes capacitadas, manutenção constante dos equipamentos e cumprimento rigoroso das normas de segurança.
Casos recentes envolvendo acidentes em atividades de risco reacendem o alerta sobre falhas operacionais e a importância da fiscalização contínua.
Independentemente das investigações, o setor reforça a necessidade de aprimorar processos e ampliar a cultura de segurança no turismo de aventura.

O desafio do setor: crescer com responsabilidade
Com a expansão acelerada do turismo de aventura no Brasil, o desafio agora é equilibrar crescimento e segurança.
O setor depende não apenas da demanda crescente por experiências, mas também de profissionalização, fiscalização e conscientização dos viajantes.
Mais do que adrenalina, especialistas destacam que o futuro do turismo de aventura passa por responsabilidade, preparo técnico e escolhas informadas.
Postado por Camila Karam no dia 24/06/2026 às 16:00












