Vai viajar nas férias? Saiba como evitar golpes em reservas e quando você tem direito ao reembolso
Especialistas explicam os principais cuidados na contratação de hospedagens e o que fazer em caso de cancelamento de passagens, hotéis ou pacotes turísticos
Planejar uma viagem vai muito além de escolher o destino e fazer as malas. Reservar hotéis, comprar passagens e contratar pacotes turísticos exige atenção para evitar prejuízos. Durante os períodos de férias e feriados, aumentam tanto os golpes envolvendo hospedagens quanto as dúvidas sobre cancelamentos e reembolsos.
Anúncios falsos, perfis clonados, cobranças realizadas fora das plataformas oficiais e ofertas com preços muito abaixo do mercado estão entre as fraudes mais comuns. Ao mesmo tempo, muitos viajantes ainda desconhecem seus direitos quando precisam cancelar uma viagem ou quando o serviço contratado não é prestado conforme o combinado.
Como evitar golpes na reserva de hospedagem
Segundo Giuliana Cometti Pessotti, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Linhares, a prevenção começa antes mesmo da confirmação da reserva.
"O consumidor deve desconfiar de promoções muito abaixo do valor praticado pelo mercado, principalmente quando há pressão para que o pagamento seja realizado imediatamente por PIX ou transferência para contas de pessoas físicas. Antes de fechar qualquer negócio, é fundamental verificar se a oferta é verdadeira", orienta.
A especialista recomenda alguns cuidados simples que podem evitar dores de cabeça:
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pesquise a reputação do hotel, pousada ou imóvel;
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confirme se o anúncio foi publicado em canais oficiais;
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verifique avaliações recentes de outros hóspedes;
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confirme se o endereço informado realmente existe;
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entre em contato diretamente com o estabelecimento pelos canais oficiais.
Atenção aos aluguéis por temporada
Nos imóveis de temporada, o cuidado deve ser ainda maior.
Segundo Giuliana, um dos principais sinais de alerta é quando o proprietário solicita que toda a negociação seja transferida para aplicativos de mensagens ou pede que o pagamento seja feito fora da plataforma onde o imóvel foi anunciado.
"Quando a reserva é intermediada por uma plataforma, o mais seguro é manter toda a comunicação e o pagamento dentro do próprio sistema. Isso oferece mais mecanismos de proteção ao consumidor e facilita a comprovação da contratação caso ocorra algum problema", explica.
Guarde toda a documentação
Independentemente da forma de contratação, é importante manter salvos todos os documentos da viagem, incluindo:
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comprovantes de pagamento;
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contratos;
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e-mails;
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conversas por aplicativos;
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recibos;
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anúncios da oferta.
Esses registros podem ser fundamentais caso seja necessário comprovar a contratação ou buscar reparação pelos prejuízos.
Caiu em um golpe? Agir rápido faz diferença
Se o consumidor perceber que foi vítima de fraude, a orientação é entrar imediatamente em contato com a instituição financeira responsável pela transferência para verificar a possibilidade de bloqueio ou rastreamento do valor.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e comunicar a plataforma utilizada para a reserva, quando houver.
Segundo Giuliana, dependendo das circunstâncias da contratação, a plataforma intermediadora também pode ter responsabilidade sobre os danos causados ao consumidor.
Cancelou a viagem? Nem sempre você perde o dinheiro
Outra dúvida comum diz respeito ao cancelamento da viagem.
De acordo com a advogada Carla Arigony, especialista em Direito do Consumidor do Jobim Advogados, o direito ao reembolso depende do motivo do cancelamento e das condições previstas em contrato.
"Cada serviço possui regras específicas de cancelamento, mas essas condições precisam ser claras e não podem colocar o consumidor em desvantagem excessiva. A existência de um contrato não significa que qualquer multa ou restrição seja automaticamente válida", afirma.
Quando o cancelamento parte do próprio consumidor, a empresa pode reter parte do valor pago para cobrir despesas administrativas, desde que a cobrança seja razoável e esteja prevista contratualmente.
Já quando o problema decorre de falha da empresa — como alteração significativa de voos, mudanças unilaterais no pacote ou descumprimento da oferta — o consumidor pode ter direito ao reembolso integral e, dependendo do caso, à reparação de outros prejuízos.
Conhecer seus direitos evita prejuízos
Antes de recorrer à Justiça, os especialistas recomendam tentar resolver o problema diretamente com a empresa por meio dos canais de atendimento e plataformas de conciliação.
"O Código de Defesa do Consumidor oferece instrumentos de proteção quando há falha na prestação do serviço ou descumprimento da oferta. Por isso, reunir provas da negociação é essencial para que o consumidor possa buscar seus direitos pelos canais administrativos ou judiciais", destaca Giuliana.
Para Carla Arigony, cada situação deve ser analisada individualmente.
"Nem todo cancelamento gera direito ao reembolso integral, mas também nem toda cobrança feita pelas empresas é válida. Cada caso deve ser analisado à luz do Código de Defesa do Consumidor e das condições efetivamente contratadas", conclui.
Com alguns minutos de pesquisa antes da compra e atenção às regras de contratação, o viajante reduz significativamente o risco de cair em golpes e viaja com mais segurança e tranquilidade.
Postado por Camila Karam no dia 14/07/2026 às 07:53













