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TURISMO-SA - Angela Karam e Camila Karam
DICAS

Descubra o que acontece com o corpo durante um voo longo e veja dicas de especialistas para evitar trombose, jet lag, dor de ouvido, desidratação e outros desconfortos durante viagens aéreas.





 

 

Pressão da cabine, ar seco, trombose, jet lag e digestão lenta estão entre os efeitos mais comuns das viagens aéreas. Especialistas explicam como reduzir os riscos antes, durante e depois do voo.

Seja em uma viagem para a Europa, Ásia ou Estados Unidos, quem passa muitas horas dentro de um avião costuma enfrentar alguns desconfortos. Dor de ouvido durante a aterrissagem, pernas inchadas, pele ressecada, dificuldade para dormir e sensação de cansaço mesmo após horas sentado estão entre os efeitos mais comuns dos voos de longa duração.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, pequenas atitudes antes e durante a viagem ajudam a minimizar esses impactos e tornam o percurso mais confortável. Mudanças na pressão da cabine, baixa umidade do ar, longos períodos de imobilidade e alterações de fuso horário exigem que o organismo se adapte rapidamente. Confira o que acontece com o corpo durante um voo longo e como reduzir os principais desconfortos.

Por que o ouvido dói durante o voo?

Uma das queixas mais frequentes dos passageiros acontece durante a decolagem e, principalmente, na aterrissagem. Embora as aeronaves sejam pressurizadas, a variação da pressão atmosférica exige que os ouvidos e os seios da face façam um processo de compensação.

Quando a pessoa está com gripe, rinite, sinusite ou alergias, essa adaptação pode ser mais difícil e provocar dor, sensação de ouvido tampado e desconforto.

Segundo o otorrinolaringologista Oswaldo Lércio Cruz, do Hospital Sírio-Libanês, viajar com as vias nasais desobstruídas facilita esse processo de equalização da pressão.

Para aliviar o incômodo, especialistas recomendam mascar chiclete, bocejar, engolir saliva ou tomar pequenos goles de água durante a descida da aeronave. Em alguns casos, medicamentos antialérgicos ou descongestionantes podem ser indicados pelo médico antes da viagem.

Pernas inchadas e risco de trombose

Outro efeito bastante comum é o inchaço nas pernas e nos pés. Permanecer muitas horas sentado reduz a circulação sanguínea e aumenta o risco de trombose venosa profunda, especialmente em voos com mais de quatro horas de duração.

A doença ocorre quando um coágulo se forma nas veias profundas das pernas e, em situações mais graves, pode se deslocar até os pulmões, provocando uma embolia pulmonar.

O risco é maior entre idosos, gestantes, pessoas com histórico de trombose, varizes, obesidade ou outras doenças cardiovasculares.

Segundo o cirurgião vascular André Echaime Vallentsits Estenssoro, do Hospital Sírio-Libanês, algumas medidas simples ajudam na prevenção:

  • manter uma boa hidratação;

  • evitar bebidas alcoólicas durante o voo;

  • movimentar pés, tornozelos e panturrilhas regularmente;

  • levantar e caminhar pelo corredor a cada uma ou duas horas;

  • utilizar meias de compressão quando houver indicação médica.

O especialista ressalta que o uso preventivo de anticoagulantes deve ocorrer apenas sob orientação médica.

O ar dentro do avião é muito seco

Pouca gente percebe, mas a umidade do ar dentro da cabine costuma variar entre 10% e 20%, bem abaixo dos níveis considerados confortáveis em ambientes terrestres.

Como consequência, pele, olhos, nariz e garganta ficam mais ressecados ao longo da viagem.

Segundo o pneumologista Elie Fiss, do Hospital Sírio-Libanês, esse ressecamento reduz parte da proteção natural das mucosas respiratórias contra vírus e bactérias.

Para minimizar os efeitos, a recomendação é:

  • beber bastante água antes, durante e após o voo;

  • usar colírios lubrificantes, caso necessário;

  • hidratar os lábios e a pele;

  • higienizar as mãos com frequência.

Pessoas com doenças respiratórias, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), devem manter o uso regular das medicações prescritas, já que a menor concentração de oxigênio na cabine pode favorecer o agravamento dos sintomas.

Por que o jet lag acontece?

Quem viaja para destinos com grande diferença de fuso horário costuma enfrentar outro desafio: o jet lag.

O problema acontece porque o relógio biológico continua sincronizado com o horário do local de origem, enquanto o organismo precisa se adaptar rapidamente ao novo ciclo de dia e noite.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • fadiga;

  • insônia;

  • sonolência durante o dia;

  • dificuldade de concentração;

  • alterações de humor;

  • mudanças no apetite.

Segundo o neurologista e especialista em sono Lucio Huebra, do Hospital Sírio-Libanês, ajustar gradualmente os horários de dormir alguns dias antes da viagem e buscar exposição à luz natural ao chegar ao destino ajudam o corpo a acelerar essa adaptação.

Quanto maior a diferença de fuso horário, maior tende a ser o tempo necessário para o organismo se ajustar.

A digestão também muda durante o voo

A altitude e a permanência prolongada na posição sentada fazem com que o sistema digestivo trabalhe mais lentamente durante a viagem.

Por isso, refeições pesadas, gordurosas ou alimentos que favorecem a formação de gases costumam aumentar a sensação de desconforto abdominal.

Segundo a nutricionista Daniela Castanho, do Hospital Sírio-Libanês, refeições leves são melhor toleradas durante voos longos.

A recomendação é priorizar frutas, carnes magras e preparações mais leves, além de moderar o consumo de álcool e cafeína, que podem contribuir para a desidratação e prejudicar a qualidade do sono.

10 dicas para enfrentar um voo longo

Se você vai embarcar em uma viagem de muitas horas, algumas atitudes simples podem fazer toda a diferença:

  1. Beba bastante água durante todo o voo.

  2. Evite excesso de bebidas alcoólicas.

  3. Caminhe pelo corredor a cada uma ou duas horas.

  4. Faça movimentos com os pés e tornozelos enquanto estiver sentado.

  5. Use roupas confortáveis e que não apertem a circulação.

  6. Considere o uso de meias de compressão, se houver recomendação médica.

  7. Prefira refeições leves durante a viagem.

  8. Leve hidratante labial e colírio lubrificante.

  9. Ajuste gradualmente o horário de dormir antes de viagens internacionais.

  10. Ao chegar ao destino, procure se expor à luz natural para ajudar na adaptação ao novo fuso horário.

Vale a pena se preparar antes da viagem

Embora os voos de longa duração possam provocar diferentes reações no organismo, a maioria dos desconfortos pode ser reduzida com medidas simples, como hidratação adequada, movimentação durante a viagem e planejamento da rotina de sono.

Para pessoas com doenças respiratórias, problemas circulatórios ou histórico de trombose, a recomendação é consultar um médico antes do embarque para avaliar a necessidade de cuidados específicos.

 



Postado por
no dia 28/07/2026 às




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