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TURISMO-SA - Angela Karam e Camila Karam
DICAS





 

Por Mary de Aquino

Após passar por Cannes, Montreal, Madri e Nova York, atração inspirada na produção da Netflix inicia temporada em São Paulo apostando na combinação entre realidade virtual, narrativa e interação coletiva.

A primeira escolha acontece antes mesmo de o visitante vestir os óculos de realidade virtual. Entre diferentes objetivos apresentados pela narrativa, cada pessoa define aquilo que pretende buscar ao longo da experiência. A decisão parece simples, mas passa a orientar um percurso que mistura tecnologia, ficção e participação ativa. Em pouco mais de uma hora, o visitante conversa com uma versão digital de si próprio, atravessa ambientes inspirados em jogos eletrônicos, percorre o interior de um cérebro humano e participa de situações que desafiam constantemente a percepção entre realidade e simulação.


É dessa forma que a Black Mirror Experience chega ao Brasil. A atração, inspirada na série criada por Charlie Brooker e disponível na Netflix, inicia temporada no Shopping Eldorado, em São Paulo, depois de um circuito internacional que incluiu Cannes, Montreal, Madri e Nova York. A passagem pela França rendeu ao projeto o Prêmio Especial do Júri na Competição Imersiva do Festival de Cannes 2026, consolidando a iniciativa como uma das apostas da indústria para aproximar grandes franquias audiovisuais do público por meio de experiências presenciais.

Diferentemente de uma exposição tradicional, a experiência não apresenta figurinos, objetos de cena ou uma retrospectiva da série. Em vez disso, propõe ao visitante ocupar o centro da narrativa. O ponto de partida é a inauguração fictícia da Phaethon Labs, uma empresa de tecnologia que apresenta ao mercado o LifeAgent, um assistente de inteligência artificial capaz de interpretar hábitos, antecipar necessidades e orientar decisões para transformar seu usuário na melhor versão de si mesmo.

A partir desse enredo, os participantes percorrem diferentes ambientes físicos e virtuais que dialogam com temas recorrentes de Black Mirror. Em alguns momentos, assumem o papel de competidores em um programa de auditório; em outros, atravessam cenários que simulam jogos digitais ou acompanham uma viagem pelo interior do cérebro humano. Um avatar criado durante a experiência passa a interagir diretamente com cada participante, funcionando como uma representação digital construída a partir de seus próprios movimentos e escolhas.

Embora a tecnologia ocupe lugar central, a proposta evita transformá-la em protagonista. O objetivo é utilizá-la como ferramenta para provocar questionamentos semelhantes aos explorados pela série ao longo de sete temporadas.


Kristof Bardos, coprodutor da Black Mirror Experience.

“O primeiro sentimento precisa ser diversão. Queríamos que as pessoas vivessem isso juntas, com amigos ou familiares. Só depois vem a reflexão sobre aquilo que acabaram de experimentar”, afirma Kristof Bardos, coprodutor da Black Mirror Experience e diretor de negócios da Univrse, estúdio especializado em realidade virtual responsável pelo desenvolvimento da atração.

Segundo Bardos, adaptar uma das séries mais reconhecidas da televisão para um ambiente presencial exigiu criar uma história inédita, em vez de reproduzir episódios já conhecidos. “Era importante preservar a identidade de Black Mirror, mas oferecendo uma experiência que só pudesse existir nesse formato”, afirma.

Essa narrativa é sustentada por uma operação tecnológica desenvolvida para ambientes de realidade virtual baseada em localização (LBVR). A estrutura reúne até 73 headsets conectados simultaneamente a uma rede dedicada, monitorados por um sistema que acompanha, em tempo real, o deslocamento dos participantes, o funcionamento dos equipamentos e a evolução da história. Telas em 4K, áudio surround, iluminação programada e elementos produzidos por impressão 3D completam os cenários percorridos durante a visita.

A estreia brasileira ocorre em um momento de expansão do mercado de experiências imersivas, impulsionado por empresas que buscam ampliar o ciclo de vida de propriedades intelectuais para além do cinema, da televisão e das plataformas de streaming. Em vez de apenas consumir uma história, o público passa a fazer parte dela.


Fernanda Abreu, vice-presidente de Entretenimento ao Vivo, Licenciamento e Marketing de Influência da Endemol Shine Brasil

 

Para Fernanda Abreu, vice-presidente de Entretenimento ao Vivo, Licenciamento e Marketing de Influência da Endemol Shine Brasil, essa mudança acompanha uma transformação na forma como as marcas de entretenimento se relacionam com seu público.

“Existe um público fiel de Black Mirror, mas também há pessoas interessadas em tecnologia e em novos formatos de experiência. O desafio é reunir esses perfis em uma mesma narrativa, respeitando as características culturais de cada mercado onde a atração é apresentada”, afirma.

Criada por Charlie Brooker, Black Mirror tornou-se uma das produções mais premiadas da televisão contemporânea. Ao longo de sete temporadas, acumulou 29 premiações, entre elas nove Emmy Awards e quatro BAFTAs. A sétima temporada foi lançada pela Netflix em abril de 2025.

No Brasil, a Black Mirror Experience permanece em cartaz de 31 de julho a 30 de setembro, no segundo subsolo do Shopping Eldorado. As sessões acontecem de terça a sábado, das 14h às 22h, e aos domingos e feriados, das 12h às 20h. A experiência tem duração aproximada de 60 minutos e classificação indicativa para maiores de 16 anos.

Fotos da série: Banijay Rights.

Fotos Black Mirror Experience: Mary de Aquino.

 

 

 



Postado por
no dia 02/08/2026 às




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