Freiburg, Europa-Park e Floresta Negra: um roteiro para descobrir um lado surpreendente da Alemanha
Cidade medieval, vinhedos tecnológicos, parque temático, trilhas, gastronomia e águas termais fazem de Baden-Württemberg um dos destinos mais completos da Alemanha.
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Schwabentor (Portão da Suábia), em Freiburg | Camila Karam
Por Camila Karam
Quando se fala em Alemanha, é comum pensar imediatamente em cidades como Berlim e Munique ou nos famosos castelos da Baviera. Mas existe uma região capaz de reunir, em poucos quilômetros, experiências que revelam um país muito além dos cartões-postais: cidades medievais preservadas, vinícolas premiadas, um dos maiores parques temáticos da Europa, trilhas em uma das florestas mais famosas do mundo e uma tradição centenária em turismo de bem-estar.
Estamos em Baden-Württemberg, no sudoeste alemão, próximo às fronteiras com a França e a Suíça. É o estado mais ensolarado do país, conhecido por suas paisagens montanhosas, pelas águas termais utilizadas desde o período romano e pela forte influência da gastronomia e da cultura do vinho.
O melhor é que não se trata de um destino para escolher apenas um tipo de viagem. Em um mesmo roteiro é possível viver dias de adrenalina, caminhar por florestas centenárias, provar alguns dos melhores vinhos alemães e terminar a tarde contemplando o pôr do sol sobre os telhados de uma cidade fundada na Idade Média.
Foi exatamente essa combinação de experiências que encontrei durante uma viagem pela região.
Freiburg: a cidade onde vale a pena se perder
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As ruazinhas de Freiburg | Camila Karam
Poucas cidades convidam tanto a se perder por suas ruas quanto Freiburg im Breisgau.
Fundada em 1120, ela preserva boa parte do seu centro histórico medieval, mas ao mesmo tempo possui uma energia jovem graças à Universidade de Freiburg, criada em 1457 e considerada uma das mais tradicionais da Alemanha.
O resultado é uma cidade vibrante, cheia de cafés, bicicletas, livrarias, mercados ao ar livre e estudantes ocupando as praças.
A melhor maneira de explorá-la é caminhar sem destino.
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Os famosos Bächle, em Freiburg | Camila Karam
Em algum momento você inevitavelmente encontrará os famosos Bächle, pequenos canais de água cristalina que percorrem aproximadamente 15 quilômetros pelo centro histórico. Construídos ainda na Idade Média para abastecimento de água e combate a incêndios, eles se transformaram em um dos maiores símbolos da cidade.
Existe até uma superstição divertida: quem colocar o pé em um deles sem querer acabará se casando com um morador de Freiburg.
Verdade ou não, nos dias de verão isso acontece o tempo todo — só que de forma proposital. Moradores compram uma taça de vinho, uma cerveja ou um café e se acomodam na beira dos canais para refrescar os pés enquanto observam o movimento da cidade.
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A Catedral de Freiburg | Camila Karam
Outro destaque é a imponente Catedral de Freiburg, cuja torre gótica de 116 metros domina o horizonte. Ao redor dela acontece diariamente um mercado de produtores locais, ótimo lugar para provar embutidos, queijos e frutas da região.
Na mesma praça está o Historisches Kaufhaus, edifício vermelho construído no século XVI que já funcionou como centro comercial da cidade e hoje é um dos cartões-postais de Freiburg.
Vinhos de Baden e uma curiosidade gelada
Depois de caminhar pela cidade, vale reservar um tempo para conhecer outro orgulho regional: os vinhos de Baden.
A melhor porta de entrada é a Alte Wache – Haus der Badischen Weine, instalada em um edifício histórico ao lado da catedral. O espaço reúne centenas de rótulos produzidos na região e oferece degustações que permitem conhecer diferentes estilos de vinhos alemães.
Um pôr do sol para guardar na memória
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O visual do Restaurante Greiffenegg | Camila Karam
Poucos lugares encerram tão bem um dia em Freiburg quanto o Restaurant Greiffenegg.
Localizado no alto do Schlossberg, o restaurante combina cozinha refinada com uma vista privilegiada sobre o centro histórico.

Prato do Restaurante Greiffenegg | Camila Karam
Ao entardecer, quando a luz dourada ilumina a torre da catedral e os telhados da cidade, o cenário faz com que o jantar seja muito mais do que uma experiência gastronômica.
Emmendingen: onde a tradição do vinho encontrou a inteligência artificial

Vinhedo tecnológico em Emmendingen | Camila Karam
A cerca de meia hora de carro de Freiburg, Emmendingen revela uma paisagem marcada por colinas cobertas de vinhedos e pela tradição da região vinícola de Baden, conhecida por alguns dos rótulos mais prestigiados da Alemanha.
Ali conheci o projeto Viticulture 4.0, que mostra como uma atividade milenar vem sendo transformada pela tecnologia.
Drones monitoram as plantações, sensores acompanham a umidade do solo, robôs auxiliam parte do trabalho agrícola e sistemas de inteligência artificial analisam dados para prever doenças nas videiras e otimizar a irrigação.
O objetivo não é substituir a tradição, mas produzir vinhos de maneira mais sustentável, utilizando menos água, menos defensivos agrícolas e aumentando a resistência dos vinhedos às mudanças climáticas.
É um excelente exemplo de como inovação e tradição podem caminhar lado a lado.
Europa-Park: muito além de um parque de diversões
Localizado em Rust, o Europa-Park vai muito além da definição de parque de diversões. Considerado o maior parque temático da Alemanha, ele ocupa aproximadamente 95 hectares, reúne mais de 100 atrações, 14 montanhas-russas e áreas inspiradas em 20 países europeus.
Os números ajudam a entender sua dimensão. O complexo recebe mais de seis milhões de visitantes por ano e inclui seis hotéis temáticos, dezenas de restaurantes, espetáculos diários e o parque aquático Rulantica, inaugurado para transformar o destino em uma experiência de vários dias — e não apenas uma visita de algumas horas.

Toboágua do parque aquático Rulantica | Camila Karam
Cada área temática reproduz elementos arquitetônicos, culturais e gastronômicos do país homenageado. Em poucos minutos, o visitante passa da Grécia para a Islândia, da Espanha para a Itália, sempre com cenários extremamente detalhados.
Mesmo quem normalmente não visita parques de diversão encontra motivos para incluir o Europa-Park no roteiro. Para aproveitar melhor todas as atrações, especialmente para os fãs de montanhas-russas e experiências imersivas, vale reservar pelo menos dois dias — ou até três, caso a intenção seja explorar o parque com calma, assistir aos espetáculos e incluir uma visita ao parque aquático Rulantica.
Caminhar pela Floresta Negra

Um dos mirantes da trilha | Camila Karam
A Floresta Negra é um daqueles lugares em que a caminhada faz parte da viagem. O nome, que em alemão é Schwarzwald, surgiu ainda na Antiguidade e na Idade Média, quando a densa cobertura de árvores tornava a região escura e quase impenetrável para quem a observava de fora. Ao longo dos séculos, a floresta passou por períodos intensos de exploração madeireira e muitas áreas foram reflorestadas, principalmente com espécies como abetos e pinheiros, formando a paisagem que conhecemos atualmente.

A Capela de St. Jakobus | Camila Karam
Uma das boas formas de vivenciar essa natureza é explorar as trilhas próximas a Wolfach, cidade localizada no vale de Wolftal, uma das áreas mais tradicionais da Floresta Negra. A caminhada até os mirantes do Castelo de Wolfach (Wolfacher Schloss) tem cerca de duas horas, nível moderado e oferece vistas panorâmicas sobre o vale. No caminho está a pequena Capela St. Jakobus, integrada a uma das rotas alemãs do Caminho de Santiago de Compostela.
O percurso pode ser feito de forma independente ou com guia. Durante os meses mais quentes, vale usar roupas adequadas e verificar o corpo ao final da caminhada devido à presença de carrapatos, comuns em áreas de mata na Alemanha.
Um museu onde a Floresta Negra continua viva

Traje típico da Floresta Negra | Camila Karam
Para entender como era a vida na região antes da industrialização, a visita ao Vogtsbauernhof, um dos principais museus a céu aberto da Alemanha, é praticamente obrigatória.
Casas rurais originais, celeiros, oficinas e um moinho de 1609 mostram como viviam os agricultores da Floresta Negra ao longo dos últimos quatro séculos. Funcionários vestidos com trajes tradicionais tornam a experiência ainda mais imersiva.
Antes de ir embora, faça uma última parada no restaurante do museu.
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A generosa fatia do Bolo Floresta Negra | Camila Karam
É ali que se pode provar o verdadeiro Black Forest Gateau, o autêntico bolo Floresta Negra. Preparado com pão de ló de chocolate, chantilly fresco, cerejas e Kirsch, ele pouco lembra as adaptações que ficaram famosas no Brasil durante os anos 1990 — e justamente por isso vale cada garfada.
Por que incluir Baden-Württemberg no seu roteiro pela Alemanha
O maior mérito de Baden-Württemberg talvez seja justamente não caber em uma única definição. A região consegue agradar famílias em busca de diversão, amantes de vinho, apaixonados por história, viajantes que preferem trilhas na natureza e quem simplesmente deseja desacelerar em cidades cheias de charme.

Vinhedo em Emmendingen | Camila Karam
Entre tecnologia, tradição e paisagens que mudam a cada curva da estrada, o sudoeste da Alemanha revela um país muito mais diverso do que normalmente imaginamos — e um destino que merece ser descoberto sem pressa.
Onde ficar
Para explorar Freiburg e seus arredores com tranquilidade, uma excelente opção é o Dorint Thermenhotel Freiburg. Cercado por áreas verdes, o hotel está integrado ao complexo Keidel Mineral-Therme, abastecido por águas minerais naturalmente aquecidas e reconhecidas por suas propriedades terapêuticas.
Além da estrutura de spa e piscinas termais, a localização facilita tanto as visitas ao centro histórico quanto os passeios pela Floresta Negra, tornando-se uma ótima base para quem pretende conhecer a região com calma.

Cave de uma das vinícolas | Camila Karam
Como chegar a Baden-Württemberg
O principal ponto de entrada para explorar esta região é Frankfurt, um dos maiores hubs aéreos da Europa, com voos diretos saindo de São Paulo operados pela Lufthansa e LATAM. A partir do aeroporto, a viagem até o Europa-Park, em Rust, leva cerca de 2h30 de carro ou pode ser feita de trem, utilizando a malha ferroviária alemã.
Outra opção é chegar por Stuttgart, capital de Baden-Württemberg, ou por Basileia, na Suíça, localizada a cerca de uma hora de Freiburg.
Para quem pretende combinar diferentes atrações, alugar um carro é a melhor alternativa. As distâncias são curtas e as estradas bem sinalizadas permitem percorrer facilmente cidades como Rust, Freiburg, Emmendingen e Wolfach, além de explorar os vilarejos da Floresta Negra no próprio ritmo.

Paisagens Idílicas por todo o caminho | Camila Karam
Vale a viagem?
Baden-Württemberg mostra uma Alemanha que muitos brasileiros ainda desconhecem. Em poucos dias, é possível reunir experiências completamente diferentes: a adrenalina do Europa-Park, a tradição dos vinhedos, o charme medieval de Freiburg, caminhadas pela Floresta Negra, gastronomia regional e momentos de relaxamento em águas termais.
É um roteiro que combina perfeitamente com quem já conhece os destinos mais famosos do país e deseja ir além do óbvio — ou mesmo para uma primeira viagem, já que consegue reunir, em uma única região, algumas das experiências mais autênticas e marcantes da Alemanha.
A jornalista viajou a convite do German National Tourist Board (GNTB), com seguro da Affinity Seguro Viagem e conectividade da OMeuChip.
Postado por Camila Karam no dia 17/07/2026 às 09:42











